quinta-feira, 30 de maio de 2013

Do subsolo ao teto


A indústria da construção brasileira consome 64% de todo o PVC, o que corresponde a US$ 1,5 bilhão ao ano. Um dos maiores mercados está no segmento de tubos e conexões.

Esse segmento é enorme nos Estados Unidos e hoje domina os negócios na área de saneamento. Tanto é que, dos 146.771 km de tubulação de água tratada naquele país em 2004, quase 114,5 mil km eram feitos de tubos e conexões de PVC. O mesmo material estava presente em 81% de toda a rede instalada naquele ano, comentou Shah Rahman, vice-presente da Technical & Municipal Services, Hultec, dos EUA, no 2º Congresso Brasileiro do PVC, ocorrido em São Paulo, em junho.
Segundo Rahman, nos EUA, os tubos de ferro ou de concreto foram perdendo terreno pela dificuldade de, enterrados, manterem - se estáveis ao longo de sua vida útil. “Por lá, é comum vermos jorrar água de tubos que simplesmente cederam aos anos. Para os de concreto, por exemplo, foram criados mecanismos externos de contenção, que, além de sujeitar-se a erros humanos de instalação, não impediram a corrosão”, contou. “Para eliminar o problema, surgiu uma nova geração de sistema de  tubos  para saneamento  em  PVC,
que apresenta um sistema interno, em duas partes que se juntam à parede de tubo, encaixando perfeitamente um tubo no outro”, revelou.

A Hultec também disponibiliza desde 1999 uma junta elástica reforçada com aço, introduzida no tubo durante o processo de produção do cano. O produto é considerado um avanço tecnológico para os tubos de PVC. Seu principal diferencial é que a junta já faz parte do tubo, o que ajuda a evitar a contaminação da água, o uso incorreto dos anéis e o retrabalho. Além disso, garante resistência ao impacto, à pressão e um maior diâmetro ao tubo. Também possibilitou o lançamento de tubos com até 500 milímetros de diâmetro.

Segundo o Instituto do PVC, a demanda do insumo na construção deverá crescer nos próximos anos, ao menos seguindo seu padrão conservador de acompanhar a evolução do PIB do setor. Se o PIB da construção subir de 4% a 5%, a expectativa é a de que a demanda de PVC voltada para cadeia da construção cresça entre 7,5% e 9% ao ano até 2015. Se isso acontecer, a projeção de demanda para 2015 poderá atingir cerca de 2,5 vezes a demanda verificada em 2004.
 
O ponto de vista ecológico dá impulso à utilização do PVC em substituição aos insumos tradicionais. Vários estudos já demonstraram que o PVC tem um “balanço ecológico” superior a outros materiais (madeira, alumínio, aço e ferro).
 
Segundo Odair Roque, diretor de Implantação e Patrimônio para a América do Sul da rede hoteleira Accorhotels, o poder de reciclagem do material foi o fator-chave para convencer a indústria hoteleira a utilizá-lo, além do conforto termoacústico, sua capacidade isolante e resistência à corrosão, sobretudo em cidades litorâneas. “No Brasil, além das janelas, já usamos portas e batentes em PVC”, conta. Os pontos fracos, revela, são a descoloração após alguns anos de uso e a torção das vedações com conseqüente perda de função.

A versatilidade do PVC também, permite criar uma gama de possibilidades. Tanto que, atualmente, além de tubos e conexões, o PVC é encontrado em janelas, perfis, sidings, pisos, fios e cabos, portas sanfonadas, divisória, forros, deques e coberturas de piscinas, geomembranas, fôrmas de concreto, entre outros.
 
As janelas de PVC, por exemplo, são reconhecidas por sua longevidade, excelência termoacústica, baixa manutenção, flexibilidade, leveza e estanqueidade.
 
Já o forro de PVC é uma especialidade brasileira que responde por 73 mil ton/ano, representando 73% da demanda total de perfis de PVC no Brasil em 2006. O material sofre concorrência
 

Presença garantida nos projetos do arquiteto Tim Hupe.
de gesso, madeira e fibra mineral. Mais prático, tem 48% do mercado de reformas.
Concreto de amanhã
Se dependesse do arquiteto Ruy Ohtake, o crescimento da resina de PVC poderia ser maior nos próximos anos. “A resina é o concreto de amanhã”, sentencia. Sua expectativa é de que o PVC seja cada vez mais utilizado em projetos inovadores em sua plenitude, como o material básico de construção. A idéia é não só usá-lo como componente estrutural mas sobretudo como elemento visual, já que ele pode ser facilmente moldado. “O uso do concreto aparente, que hoje faz essa função, representa menos de 1% do consumo do armado, mas ele é quem dá visibilidade ao material”, define o arquiteto, para quem “a criatividade nos projetos e na produção devem ajudar a conquistar mercado mais rapidamente”.

A chave para isso é ter uma linguagem arquitetônica inovadora, que crie uma “estética desafiadora”. Um bom exemplo de onde se pode chegar com o PVC é o estádio futurista Allianz Arena, construído em Munique (Alemanha) para a Copa do Mundo de 2006, projetado pelo arquiteto alemão Tim Hupe para o escritório Herzog and De Meuron.
Duas cores do estádio Allianz Arena, em Munique, que revela uma estética inovadora com a cobertura de PVC.
Para Ohtake, outra aplicação interessante de resina é em estruturas de fibrocarbono, muito leve e resistente. Em um projeto, o arquiteto usou uma placa de fibrocarbono de 1,6 mm de espessura para dar resistência e sustentar uma cobertura de concreto que terminava em uma fina espessura de 3 cm, onde não caberia uma barra de ferro.

Afora disso, destaca Ohtake, o material é perfeito para ajudar o governo e a iniciativa privada no esforço de melhorar a vida das camadas sociais menos favorecidas. “Vejo com muito entusiasmo a resina de PVC na construção. Pelas múltiplas aplicações e possibilidades, é o grande material para o futuro próximo. Só dependerá do desenvolvimento do próprio país”, afirma. Para ele, o Leme Othon Palace, no Rio de Janeiro, é um bom exemplo de arquitetura com PVC. “A caixilharia é repetitiva, mas tem riqueza de detalhes”, julga.

“Mas a questão da durabilidade do material ainda terá de ser respondida pelos fabricantes”, comenta.

“O PVC tem linguagem moderna, contemporânea, dá oportunidade de acrescentar à cidade formas interessantes e pode tornar simples prolongamentos arquitetônicos periféricos mais bonitos.”
Fonte:Notícias da Construção
Por:Nathalia Barboza.

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